quinta-feira, 29 de março de 2012

é um "post" a lembrar o evento de amanhã e um encontro com dois poetas de eleição (dizemos nós e dizemos bem...)

O som do silêncio

Devagar, como se tivesse todo o tempo do dia,
descasco a laranja que o sol me pôs pela frente. É
o tempo do silêncio, digo, e ouço as palavras
que saem de dentro dele, e me dizem que
o poema é feito de muitos silêncios,
colados como os gomos da laranja que
descasco. E quando levanto o fruto à altura
dos olhos,  e o ponho contra o céu, ouço
os versos soltos de todos os silêncios
entrarem no poema, como se os versos
fossem como os gomos que tirei de dentro
da laranja, deixando-a pronta para o poema
que nasce quando o silêncio sai de dentro dela.

Nuno Júdice

O que diz o rato

Tenho um destino. Nasci
para roer o silêncio - e vou roê-lo
metodicamente

até que um dia se  invertam os papéis
e seja o silêncio a roer-me a mim.

A. M. Pires Cabral






nós estamos...
o poeta Vasco Graça Moura também
a poesia iden
e mais ainda... todos os que desejarem passar um bom serão!

quarta-feira, 28 de março de 2012

divagações #01

o "RESUMO a poesia em 2011" livro editado pela FNAC e pela DOCUMENTA e cuja receita reverte totalmente para a AMI / Info Exclusão, apresenta textos do poeta A. M. Pires Cabral (entre outros e outras).

Fazemos referência a esta publicação pelas mais variadas razões.

A saber:

// da seleção (poemas escolhidos) surge o "nosso" poeta homenageado A. M. Pires Cabral (na edição 2009)

// por reunir vários poetas

// pelo preço (acessível)

// pelo destino das receitas

Julgamos serem razões válidas para ir à sua procura...

Aproveitando a "deixa" recordo o nosso quarto (humores) e quinto (beija-me) caderno de poesia, com sessão de apresentação já agendada: dia 21 de abril pelas 17:00h na casa da galeria (próximo da data daremos conta de outras informações complementares)
  

hoje às 16H00 no auditório da biblioteca municipal - DOCUMENTÁRIO sobre o escultor e diretor artístico do miec - Alberto Carneiro

entrada livre

entrada livre

entrada livre

terça-feira, 27 de março de 2012

quisera estar onde não estou... quisera amar e não pude... só a poesia me serve e me cobre de fantasia!!

do poeta que em breve estará em santo tirso e galanteia a edição "mãos à obra"...


XIV. experiência do sono

o mundo envelhecera
e nada era indiferente
agora ou antes.

mas a experiência
pesava-lhes na alma
e tinham sono.

na biblioteca
flutuam folheadas
obscuras aguarelas.

in O Concerto Campestre


Vasco Graça Moura será homenageado pela CMST nesta edição, no próximo dia 30 no salão nobre dos paços do concelho pelas 21H00.

ENTRADA LIVRE

"mãos à obra" é poesia e é desse modo que será recebida/o...

sexta-feira, 23 de março de 2012

..apetece merendar com as palavras e colher os raios de sol numa manta de cetim

hoje passa o filme...

passa na biblioteca...

o realizador João Botelho está presente...

a escultura de jack varnarsky. o "livro do desassossego" também...

visitem...

assistam ao filme...

e assim se faz...
e assim se pensa...
e assim se diz...
"mãos à obra"

quinta-feira, 22 de março de 2012

imagens + palavras = poesia... hoje na biblioteca municipal 21:00h

I. a penumbra das rosas

na biblioteca flutuam as obscuras
zonas de sombra,
a luz morosa das águas

distantes no crepúsculo.
há um vaso de rosas:
as roas são a razão oscilante na penumbra

fluída das páginas.
o saber vai murchar silenciosamente
misturando a cinza desencontrada

de umas coisas e outras.
procuro encontrar um andamento calmo
para falar destas coisas, é quase noite e

a paisagem esfuma-se.
vou-me alheando das horas, das alheias
palavras que esmorecem

in O CONCERTO CAMPESTRE :: vasco graça moura

quarta-feira, 21 de março de 2012

para os poetas... para os que amam a poesia... VIVA

HOJE É O DIA:::!!!!!!!!

de Vasco Graça Moura, o nosso poeta de "mãos à obra"...

X.num parque, à contra-luz

houve pintores do porto
que inventaram assim
para seu uso o porto,

as suas sombras negras e douradas
pertencem-lhes.
eu sei perfeitamente

qual a renda das copas que me interessa,
num parque, à contra-luz,
quais

os reflexos da pedra
e do vidro,
ou o talhe

das cantarias numa fachada,
qual
o baloiçar ronceiro de um carro eléctrico

zumbindo numa subida,
qual
a moldura de uma ponte

a enquadrar a golfada do rio,
qual
o percurso de um passeio

moroso ao escurecer,
mas sei-o como efeito de estilo,
questão de prosa

ou de poesia trabalhada,
de ironia, de uma pobre
ironia biográfica

in O CONCERTO CAMPESTRE