terça-feira, 20 de março de 2012

...já faltam menos de 24HORAS

de megafone na mão anunciamos:

"a poesia está na rua" está a 1 dia de se apresentar na sua nova "moldura"...

o programa vai ficar disponível aqui e poderá ser consultado no balcão de informações da câmara municipal (em suporte papel).

"mãos à obra" que o dia é certo e a poesia também!!!  

terça-feira, 6 de março de 2012

partilhamos, pelo simples prazer da partilha... #02

A palavra viva possui uma alma da qual a palavra escrita não é mais do que uma imagem.


Sócrates

partilhamos, pelo simples prazer da partilha... #01

«POR BELEZA DAS FORMAS, NÃO ME PROPONHO INDICAR AQUELA QUE OS DEMAIS POSSAM JULGAR, ISTO É, AQUELA, POR EXEMPLO, DE ESTAR VIVO, OU A DE CERTAS PINTURAS; MAS REFIRO-ME A QUALQUER COISA DE RETILÍNEO E DE CIRCULAR E ÀS FIGURAS PLANAS E SÓLIDAS QUE SÃO GERADAS POR MEIO DA ROTAÇÃO QUER DE RÉGUAS, QUER DE ESQUADROS, SE ME FAÇO ENTENDER, E ESTAS NÃO DIGO QUE SEJAM BELAS RELATIVAMENTE A ALGO, MAS QUE POR NATUREZA E POR SI PRÓPRIAS SÃO BELAS E CONTEEM EM SI CERTOS PRAZERES PRÓPRIOS QUE NADA TEEM A VER COM OS PRAZERES PROVOCADOS POR ESTÍMULOS.»

PLATÃO

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

ainda do "nosso" poeta...

Lamento para a língua portuguesa

Não és mais do que as outras, mas és nossa, e crescemos em ti. Nem se imagina que alguma vez uma outra língua possa pôr-te incolor, ou inodora, insossa, ser remédio brutal, mera aspirina, ou tirar-nos de vez de alguma fossa, ou dar-nos vida nova e repentina.
Mas é o teu país que te destroça,
o teu próprio país quer-te esquecer
e a sua condição te contamina
e no seu dia-a-dia te assassina.
Mostras por ti o que lhe vais fazer:
vai-se por cá mingando e desistindo,
e desde ti nos deitas a perder
e fazes com que fuja o teu poder
enquanto o mundo vai de nós fugindo:
ruiu a casa que és do nosso ser
e este anda por isso desavindo
connosco, no sentir e no entender,
mas sem que a desavença nos importe
nós já falamos nem sequer fingindo
que só ruínas vamos repetindo.
talvez seja o processo ou o desnorte
que mostra como é realidade
a relação da língua com a morte,
o nó que faz com ela e que entrecorte
a corrente da vida na cidade.
Mais valia que fossem de outra sorte
em cada um a força da vontade
e tão filosofais melancolias
nessa escusada busca da verdade,
e que a ti nos prendesse melhor grade.
Bem que ao longo do tempo ensurdecias,
nublando-se entre nós os teus cristais,
e entre gentes remotas descobrias
o que não eram notas tropicais
mas coisas tuas que não tinhas mais,
perdidas no enredar das nossas vias
por desvairados, lúgubres sinais,
mísera sorte, estranha condição,
mas cá e lá do que eras tu te esvais,
por ser combate de armas desiguais.
Matam-te a casa, a escola, a profissão,
a técnica, a ciência, a propaganda,
o discurso político, a paixão
de estranhas novidades, a ciranda
de violência alvar que não abranda
entre rádios, jornais, televisão.

E toda a gente o diz, mesmo essa que anda por tal degradação tão mais feliz que o repete por luxo e não comanda, com o bafo de hienas dos covis, mais que uma vela vã nos ventos panda cheia do podre cheiro a que tresanda.

Foste memória, música e matriz
de um áspero combate: apreender
e dominar o mundo e as mais subtis
equações em que é igual a xis
qualquer das dimensões do conhecer,
dizer de amor e morte, e a quem quis
e soube utilizar-te, do viver,
do mais simples viver quotidiano,
de ilusões e silêncios, desengano,
sombras e luz, risadas e prazer
e dor e sofrimento, e de ano a ano,
passarem aves, ceifas, estações,
o trabalho, o sossego, o tempo insano
do sobressalto a vir a todo o pano,
e bonanças também e tais razões
que no mundo costumam suceder
e deslumbram na só variedade
de seu modo, lugar e qualidade,
e coisas certas, inexactidões,
venturas, infortúnios, cativeiros,
e paisagens e luas e monções,
e os caminhos da terra a percorrer,
e arados, atrelagens e veleiros,
pedacinhos de conchas, verde jade,
doces luminescências e luzeiros,
que podias dizer e desdizer
no teu corpo de tempo e liberdade.
Agora que és refugo e cicatriz
esperança nenhuma hás-de manter:
o teu próprio domínio foi proscrito,
laje de lousa gasta em que algum giz
se esborratou informe em borrões vis.
De assim acontecer, ficou-te o mito
de haver milhões que te uivam triunfantes na raiva e na oração, no amor, no grito de desespero, mas foi noutro atrito que tu partiste até as próprias jantes nos estradões da história: estava escrito que iam desconjuntar-te os teus falantes na terra em que nasceste, eu acredito que te fizeram avaria grossa.

Não rodarás nas rotas como dantes,
quer murmures, escrevas, fales, cantes,
mas apesar de tudo ainda és nossa,
e crescemos em ti. Nem imaginas
que alguma vez uma outra língua possa
pôr-te incolor, ou inodora, insossa,
ser remédio brutal, vãs aspirinas,
ou tirar-nos de vez de alguma fossa,
ou dar-nos vidas novas repentinas.
enredada em vilezas, ódios, troça,
no teu próprio país te contaminas
e é dele essa miséria que te roça.
Mas com o que te resta me iluminas.

in "Antologia dos Sessenta Anos

do poeta Vasco Graça Moura

O suporte da música

suporte da música pode ser a relação entre um homem e uma mulher, a pauta dos seus gestos tocando-se, ou dos seus olhares encontrando-se, ou das suas
vogais adivinhando-se abertas e recíprocas, ou dos seus obscuros sinais de entendimento, crescendo como trepadeiras entre eles.
Osuporte da música pode ser uma apetência
dos seus ouvidos e do olfacto, de tudo o que se ramifica entre os timbres, os perfumes, mas é também um ritmo interior, uma parcela do cosmos, e eles sabem-no, perpassando
por uns frágeis momentos, concentrado
num ponto minúsculo, intensamente luminoso, que a música, desvendando-se, desdobra, entre conhecimento e cúmplice harmonia.


in "Antologia dos Sessenta Anos"

mãos à obra - vem aí nova edição do programa "a poesia está na rua"

a nova edição está a ser preparada e o poeta Vasco Graça Moura dará um forte contributo para o sucesso da mesma...


Vasco Graça Moura celebra este ano cinquenta anos de vida literária.

Autor de uma obra literária de proporções homéricas, na poesia, na ficção, no teatro e no ensaio, tradutor de Dante, Shakespeare, Racine, Corneille, Rilke, etc.
Homem de vasta erudição, ocupou diversos cargos, tais como: Secretário de Estado em dois governos (1975-76), Director da RTP-2 (1978), Administrador da Imprensa Nacional (1979-89), Comissário-Geral de Portugal para a Exposição Universal de Sevilha (1988-92), Presidente da Comissão dos Descobrimentos Portugueses e Director da Revista Oceanos (1988-95), Director do Serviço de Bibliotecas e Apoio à Leitura da Fundação Calouste Gulbenkian (1996-99).
Eleito como independente nas listas do PSD, foi deputado ao Parlamento Europeu durante dez anos (1999-2009).
É, desde Janeiro de 2012, o novo Presidente do Centro Cultural de Belém.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

não gostamos de dar notícias destas, mas...

Amanhã, dia 29 de abril, estava prevista a presença de um escritor acompanhado por um dos seus livros.

Pois bem, tal não irá acontecer dado que o José Jorge Letria não se encontra nas melhores condições (pequenos problemas de saúde).

Nós, por cá, desejamos que rapidamente se restabeleça e nos continue a fascinar com a (sua) escrita.

Desculpem (mais esta alteração à programação)!!!!

9 semanas & meia

quarta-feira, 27 de abril de 2011

atenção seguidores fieis do programa "9 semanas & meia" - informo importante alteração...

Atenção…!



Alteração de última hora.

O concerto do Coro Anima Mea (aquela cativa que me tem cativo), agendado para o dia 30 de Abril, foi adiado para o dia 22 de Maio (local: átrio do paços do concelho _ horário: 18:00h)

muito obrigada e desculpem (principalmente os que já tinham em agenda a presença).
 
contamos com a presença de todos no dia 22 de maio (domingo)

quinta-feira, 14 de abril de 2011

o "tempo" nem sempre está do nosso lado. daí, nem sempre se cumpre o rigor da actualização a "tempo e horas" - aqui fica o pedido de perdão

Chocolate



É uma das poucas adaptações de obras literárias para cinema que não me desiludiu. Para quem - como eu - aprecia a escrita de Joanne Harris, que nos transporta sempre para cenários ricos em sabores e aromas intensos, habitados por personagens e histórias cativantes, o filme “Chocolate” consegue criar uma atmosfera mágica que se assemelha ao imaginário das páginas lidas (devoradas).

R.R.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

a crónica de RR sobre "Emmanuelle"...

“Emmanuelle” um filme de “rodinha vermelha”… em 1974.


O erotismo das cenas não possui o extraordinário efeito que obteve aquando da sua estreia por estas terras lusitanas (na altura um ícone dos filmes eróticos).

A história (não é uma boa história)… que me desculpem os que pensam de forma diferente!

RR

obrigada pelo envio e pela generosidade A.

Na onda do erotismo

Esse corpo monumento
Nem todo deves mostrar
Deixa o desejo de explorar

Mostrar tudo, não é certo
Podes mesmo acreditar
Há vontade escondida
No que ficou por mostrar

Com mais simples engenho
Na arte de bem teatrar
Por certo não te arrependes
Do melhor saber guardar

Chegou a vez, cai o pano
Fim da cena que criaste
Nesse dia que se impõe
A mostrar como nasceste
Explodem os sentidos
Numa onda de calor
Assim tudo é "tua praia"
Nem te lembras do pudor

Anyta
22MAR2011 

assino por baixo... o que dirá Marta Crawfort!!!! Fica em suspenso até à sua vinda (a Marta...)

Dr. Ruth, a mulher que durante décadas ensinou sexualidade na TV norte-americana, do alto dos seus animados oitenta e muitos anos:
«Gosto destas roupas porque são FUN e as pessoas sentem-se bem dentro delas. E quando as pessoas se sentem bem fazem bom sexo».

Está dito...

apetece concordar sem mais...

«Uma mulher bonita não é aquela de quem se elogiam as pernas ou os braços, mas aquela cuja inteira aparência é de tal beleza que não deixa possibilidades para admirar as partes isoladas.»

Séneca, escritor e intelectual do império romano 

quarta-feira, 30 de março de 2011

sobre "Africa Minha" Mário Augusto disse...

África Minha



É uma grande história de amor que usa com um encanto surpreendente as paisagens do Quénia que alinham na perfeição com a Música de John Williams. Um drama biográfico, produzido e dirigido por Sydney Pollack, que Meryl Streep e Robert Redford desempenham numa química perfeita.


O argumento é baseado no livro autobiográfico de Isak Dinesen (pseudônimo de Karen Blixen) publicado em Londres em 1937.


A história real da baronesa dinamarquesa Karen von Blixen-Finecke, uma mulher apaixonada por África e pelas suas gentes. Independente e forte, ela chega a África no inicio do século XX para gerir e controlar os investimentos ruinosos do marido numa plantação de café. Só e a viver um casamento de conveniência, Karen Blixen apaixona-se pelo misterioso caçador Denys Finch Hatton, vivendo uma paixão que em cinema tem momentos únicos e eternos, como a famosa cena do passeio de avião ou o acampamento onde no meio da natureza selvagem se ouve uma grafonola a tocar Beethoven.


O filme ganhou 7 óscares da academia entre eles melhor filme e melhor realizador. É um daqueles casos que ao ouvir os primeiros acordes da banda sonora, todos associam às imagens de África Minha.

já é oficial... temos a crónica de cinema pela mão da RR

A primeira vez que vi “África Minha” não terá sido em 1985, mas seguramente foi à mais de dez anos… permanece em mim a certeza (apesar do tempo passar e outros preencherem o imaginário) de ser um dos mais belos filmes. Revi, revivi, reencontrei… permanece a certeza… confirma a impressão… é um filme intemporal.


… simplesmente maravilhoso!

RR

terça-feira, 29 de março de 2011

Mário Augusto escreveu (e está no programa geral das iniciativas) sobre Orquídea Selvagem...

Orquídea Selvagem



No género do cinema erótico incluem-se produções de grande impacto, cujos méritos principais estão na abordagem do tema mas acima de tudo na envolvência, na imagem e no encanto e capacidade de fazer sonhar das actrizes que se entregam à personagem intensamente. Terá sido o que aconteceu com este filme. Carré Otis depois da rodagem acabaria casada com o protagonista Mickey Rourke. O casamento não durou mais do que cinco anos, a carreira dela durou apenas 3 filmes, mesmo assim ela transpira erotismo neste filme qu tenta tirar promoção do actor que marcou 9 semanas e meia.


É a história de uma bela jovem que numa viagem de negócios, conhece o charmoso Weeler, um homem enigmático, que a envolve num estranho jogo de sedução.

obrigada por partilhar as impressões... RR

Em “Orquídea Selvagem” somos arrebatados por uma atmosfera densa e sensual. A música é constante ao longo da intriga e envolve-nos em ritmos tropicais. O cenário, voluptuoso e colorido, funde-se nessa sonoridade e torna o jogo sensual entre as personagens de Rourke e Otis “quente, urgente e avalassador”. 
R.R.