Coelho Neto
"A vida é a variedade. Assim como o paladar pede sabores diversos, assim a alma exige novas impressões"
as impressões (podem e) são tantas que cabe a "9 semanas & meia" proporcionar algumas.
quem arrisca? quem ousa experimentar?
quem dá espaço à própria alma?
o cinema causa e provoca sensações.
"tranparência viva" é a designação do ciclo de cinema a decorrer por estes dias (ao longo dos 66 dias). Orquídea Selvagem, é hoje!!! É poesia traduzida em imagem e impressões na pele e na alma...
faz bem ler, dizer e ver poesia...
segunda-feira, 28 de março de 2011
quarta-feira, 16 de março de 2011
"9 semanas & meia" é muito mais do que 66 dias - são noites sem dormir, são dias a sonhar, é paixão pela poesia, é correr por dentro e por fora... experimentem tudo isto assistindo aos 110 momentos (no mínímo)
EPIGRAMA TEOLÓGICO
Nuno Júdice
Concordo com Delmore Schwartz:
«uma mulher nua é uma prova da existência de Deus».
Podia dizer: uma prova suficiente. Apenas
o indispensável para que a dúvida se dissipe,
e o grande cenário do Paraíso se abra
em écran gigante e som estereofónico (sim:
os anjos cantam por cima disto).
Nuno Júdice
Concordo com Delmore Schwartz:
«uma mulher nua é uma prova da existência de Deus».
Podia dizer: uma prova suficiente. Apenas
o indispensável para que a dúvida se dissipe,
e o grande cenário do Paraíso se abra
em écran gigante e som estereofónico (sim:
os anjos cantam por cima disto).
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
beija-me o pescoço... abre a blusa e usa a língua entre a pele e a renda que aprisiona os seios...
Arrefece,
dizias. É o frio,
disse eu,
que te acaricia
a pele. Que nela
se aquece. Que nela
se esquece.
9 semanas e meia
Deixa o veneno
levedar no copo. Deixa-o
ser golfo
de sangue, lágrima
ancorada, acidulada
tinta do delírio. Deixa-o
ser lume, fumo, gume
obsceno.
9 semanas e meia
Não digas
beijo, diz
a boca. Não
digas rio, diz
a fonte. Diz
apenas.
9 semanas e meia
dizias. É o frio,
disse eu,
que te acaricia
a pele. Que nela
se aquece. Que nela
se esquece.
9 semanas e meia
Deixa o veneno
levedar no copo. Deixa-o
ser golfo
de sangue, lágrima
ancorada, acidulada
tinta do delírio. Deixa-o
ser lume, fumo, gume
obsceno.
9 semanas e meia
Não digas
beijo, diz
a boca. Não
digas rio, diz
a fonte. Diz
apenas.
9 semanas e meia
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
M. é amor... é bom e faz bem... o resto conta pouco na hora em que o "sim" é palavra e não "suspiro"
O quarto mobilado na viela.
A campainha aos pés da cama.
Não será o amor um laço estreito
entre a angústia e o prazer?
Sandro Penna
A campainha aos pés da cama.
Não será o amor um laço estreito
entre a angústia e o prazer?
Sandro Penna
para os admiradores... para os que não admiram mas têm curiosidade em ler... para todos os que gostam de "F"
É importante foder (ou não foder)?
É evidente que não, não é importante.
Fode quem fode e não fode quem não quer.
Mas mesmo nada
A ver.
O que um tanto me tolhe é não poder confiar
Numa coisa que estica e depois encolhe,
Uma coisa que é mole e se põe a endurar e
A dilatar a dilatar
Até não se poder nem deixar andar
Para depois sumir
E dar vontade de rir e d´ir urinar.
Isso eu o quiz dizer naquele verso louco que tenho ao pé:
«O amor é um sono que chega para o pouco ser que se é»
Verso que, como sempre, terá ficado por perceber (por mim até).
........................................................................
Também aquela do «outrora-agora» e do «ah poder ser tu eu»
foi um bom trabalho
Para continuar tudo co´a cara de caralho
Que todos já tinham e vão continuar a ter
Antes durante e depois de morrer.
Mário Cesariny
É evidente que não, não é importante.
Fode quem fode e não fode quem não quer.
Mas mesmo nada
A ver.
O que um tanto me tolhe é não poder confiar
Numa coisa que estica e depois encolhe,
Uma coisa que é mole e se põe a endurar e
A dilatar a dilatar
Até não se poder nem deixar andar
Para depois sumir
E dar vontade de rir e d´ir urinar.
Isso eu o quiz dizer naquele verso louco que tenho ao pé:
«O amor é um sono que chega para o pouco ser que se é»
Verso que, como sempre, terá ficado por perceber (por mim até).
........................................................................
Também aquela do «outrora-agora» e do «ah poder ser tu eu»
foi um bom trabalho
Para continuar tudo co´a cara de caralho
Que todos já tinham e vão continuar a ter
Antes durante e depois de morrer.
Mário Cesariny
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
acordei com a respiração acelerada e o corpo em extase... tu não estavas! mergulhei novamente no sonho...
Estaria o meu terno senhor a assobiar
à sua porta, ou queria entrar de noite,
sem chave, no meu coração?
Sandro Penna
à sua porta, ou queria entrar de noite,
sem chave, no meu coração?
Sandro Penna
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
tem muita graça e não fere os mais púdicos... obrigada RR!
João comprou um par de sapatos novos e chega a casa:
- Maria o que achas?
- Acho de quê?
- Não notas nada de diferente?
- Não...
João vai à casa de banho, tira a roupa toda e volta apenas com os sapatos
novos calçados.
- E agora? Já notas alguma coisa diferente?
- Não, o 'coiso' continua pendurado para baixo, assim como estava
ontem e como estará amanhã!
- E SABES PORQUE É QUE ELE ESTÁ PENDURADO PARA BAIXO?
- Porquê?
- Porque ele está a olhar para os meus sapatos novos!
- Hum... podias ter comprado um chapéu ...
p.s. a edição 2010 do programa "a poesia está na rua" - humor com humor se paga, explorou o humor e a graça poética. RIR faz sempre bem... mesmo (ou sobretudo) quando tem qualquer "coisa de picante"!!!
- Maria o que achas?
- Acho de quê?
- Não notas nada de diferente?
- Não...
João vai à casa de banho, tira a roupa toda e volta apenas com os sapatos
novos calçados.
- E agora? Já notas alguma coisa diferente?
- Não, o 'coiso' continua pendurado para baixo, assim como estava
ontem e como estará amanhã!
- E SABES PORQUE É QUE ELE ESTÁ PENDURADO PARA BAIXO?
- Porquê?
- Porque ele está a olhar para os meus sapatos novos!
- Hum... podias ter comprado um chapéu ...
p.s. a edição 2010 do programa "a poesia está na rua" - humor com humor se paga, explorou o humor e a graça poética. RIR faz sempre bem... mesmo (ou sobretudo) quando tem qualquer "coisa de picante"!!!
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
chegou pela manhã e trazia o perfume da memória... obrigada M.
CONHEÇO O SAL
Conheço o sal da tua pele seca
depois que o estio se volveu inverno
da carne repousando em suor nocturno.
Conheço o sal do leite que bebemos
quando das bocas se estreitavam lábios
e o coração no sexo palpitava.
Conheço o sal dos teus cabelos negros
ou louros ou cinzentos que se enrolam
neste dormir de brilhos azulados.
Conheço o sal que resta em minhas mãos
como nas praias o perfume fica
quando a maré desceu e se retrai.
Conheço o sal da tua boca, o sal
da tua língua, o sal de teus mamilos,
e o da cintura se encurvando de ancas.
A todo o sal conheço que é só teu,
ou é de mim em ti, ou é de ti em mim,
um cristalino pó de amantes enlaçados.
Jorge de Sena
Conheço o sal da tua pele seca
depois que o estio se volveu inverno
da carne repousando em suor nocturno.
Conheço o sal do leite que bebemos
quando das bocas se estreitavam lábios
e o coração no sexo palpitava.
Conheço o sal dos teus cabelos negros
ou louros ou cinzentos que se enrolam
neste dormir de brilhos azulados.
Conheço o sal que resta em minhas mãos
como nas praias o perfume fica
quando a maré desceu e se retrai.
Conheço o sal da tua boca, o sal
da tua língua, o sal de teus mamilos,
e o da cintura se encurvando de ancas.
A todo o sal conheço que é só teu,
ou é de mim em ti, ou é de ti em mim,
um cristalino pó de amantes enlaçados.
Jorge de Sena
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
O POETA NU - Jorge Sousa Braga >>>> impossível não gostar da "simplicidade de dizer" deste autor - ora vejam!
diz o autor:
Os poemas que se seguem pretendem aproximar-se da simplicidade (ilusória) de uma gota de água. (...) Por último, um lamento: que estes poemas não possam chegar ao leitor da forma mais apropriada, ou seja, em folhas de trevo.
STRIP-TEASE
Quanto mais me dispo
menos nu
me sinto
9 semanas e meia
A borboleta que poisou
no teu mamilo perdeu
vontade de voar
9 semanas e meia
Vou ao céu
E venho-
-me
9 semanas e meia
Não posso
amar
mais claro
9 semanas e meia
Escrevo
com os dedos ainda longos
da carícia
9 semanas e meia
Ainda agora em ti entrei
e já em todos os teus poros
me achei
9 semanas e meia
Não é a rosas nem a violetas
nem a jasmim o cheiro
que me põe fora de mim
9 semanas e meia
GRANADA
O sumo das romãs
escorre-te
por entre os seios
9 semanas e meia
OPALA
Será de uma gota de esperma
o arco-íris que se desenha
neste poema?
9 semanas e meia
MULHER
Metade mulher metade pássaro
Metade anémona metade névoa
Metade água metade mágoa
Metade silêncio metade búzio
Metade manhã metade fogo
Metade jade metade tarde
Metade mulher metade sonho
9 semanas e meia é aqui usado para anunciar cada um dos textos
Os poemas que se seguem pretendem aproximar-se da simplicidade (ilusória) de uma gota de água. (...) Por último, um lamento: que estes poemas não possam chegar ao leitor da forma mais apropriada, ou seja, em folhas de trevo.
STRIP-TEASE
Quanto mais me dispo
menos nu
me sinto
9 semanas e meia
A borboleta que poisou
no teu mamilo perdeu
vontade de voar
9 semanas e meia
Vou ao céu
E venho-
-me
9 semanas e meia
Não posso
amar
mais claro
9 semanas e meia
Escrevo
com os dedos ainda longos
da carícia
9 semanas e meia
Ainda agora em ti entrei
e já em todos os teus poros
me achei
9 semanas e meia
Não é a rosas nem a violetas
nem a jasmim o cheiro
que me põe fora de mim
9 semanas e meia
GRANADA
O sumo das romãs
escorre-te
por entre os seios
9 semanas e meia
OPALA
Será de uma gota de esperma
o arco-íris que se desenha
neste poema?
9 semanas e meia
MULHER
Metade mulher metade pássaro
Metade anémona metade névoa
Metade água metade mágoa
Metade silêncio metade búzio
Metade manhã metade fogo
Metade jade metade tarde
Metade mulher metade sonho
9 semanas e meia é aqui usado para anunciar cada um dos textos
...estou à espera da tarde...
Antes que a noite acabe
Acende a luz da minha vida
Com a tua chama, oh, meu Amor!
Estou à espera da tarde
Em que vens pelo caminho trazendo a tua chama,
E o meu coração amadurecido nas suas trevas
Acender-se-á como uma labareda.
Rabindranath Tagore
Acende a luz da minha vida
Com a tua chama, oh, meu Amor!
Estou à espera da tarde
Em que vens pelo caminho trazendo a tua chama,
E o meu coração amadurecido nas suas trevas
Acender-se-á como uma labareda.
Rabindranath Tagore
uma verdadeira delícia...
A EVOCAÇÃO DO CHIMPANZÉ
Alberto Pimenta
comprei um bilhete e um cartucho de amendoins e entrei no cinema. tu compraste um bilhete e um cartucho de amendoins e entraste no cinema, sentámo-nos na mesma fila, lado a lado, eu abri o meu cartucho de amendoins, tu abriste o teu cartucho de amendoins, com um ruído exactamente igual ao meu. voltei-me para ti e mostrei os dentes. Tu voltaste-te para mim e mostraste os dentes. quando a luz apagou, tu pousaste o teu cartucho de amendoins no colo e eu pousei o meu cartucho de amendoins no colo. com a mão direita comecei a levantar-te a saia. para me facilitar a tarefa, tu levantaste levemente as nádegas do assento. com esse gesto, caiu-te do colo o cartucho de amendoins. assim que os amendoins acabaram de se espalhar no chão, abaixei-me para tos apanhar, mas esqueci-me do meu cartucho de amendoins, o qual me caiu igualmente ao chão. gastei um tempo enorme a procurar e a recolher todos os amendoins. lembro-me de que passei o tempo quase todo até ao intervalo recolhendo os amendoins. todo o tempo tu não deixaste de suspirar e de gemer, embora estivesse apenas a decorrer um documentário sobre o narciso e nenhum drama comovente. a voz do locutor lembro-me que dizia: « no começo da primavera, quando montes e vales acordam do longo sono de inverno, centenas e centenas de narcisos elevam as douradas cabeças em todas as frestas e abrigos do solo, e lançam seu olhar inocente pelos portentosos rochedos e pelas raízes nodosas da floresta.» isto, como certamente te lembras, foi antes do intervalo. depois, quantas vezes, oh quantas vezes não deixaste cair e eu deixei cair os amendoins que nos restavam. e ora eu, ora tu, de cada vez descíamos a procurá-los, e a colhê-los com suaves, ternos guinchos. o filme, no dizer da crítica, era daqueles que se não podem perder.
p.s. para os interessados... amanhã no auditório da biblioteca municipal de santo tirso (18:00h) e na voz de Alberto Serra - "9 semanas e meia" inícia a sua aparição [de forma discreta e a meia luz e sem revelar (ainda) o que se segue]
o teu nome acaricia a minha pele... sussurro e mordo o lábio ao som de ti...digo: SIM
QUADRILHA
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi pra os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
Carlos Drummond de Andrade
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi pra os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
Carlos Drummond de Andrade
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
põe a tua mão...
Põe-me as mãos no sexo,
Beija-me na coxa,
Abre-me no plexo,
Uma ferida roxa.
Eu não sei porquê,
Meu dês d´onde venho,
Sou o ser que vê
Só o seu tamanho.
Põe a tua mão
Num laço sem fim,
E chega ao desvão,
Abre-o para mim.
Mário Cesariny
Beija-me na coxa,
Abre-me no plexo,
Uma ferida roxa.
Eu não sei porquê,
Meu dês d´onde venho,
Sou o ser que vê
Só o seu tamanho.
Põe a tua mão
Num laço sem fim,
E chega ao desvão,
Abre-o para mim.
Mário Cesariny
ontem chovia copiosamente. molhou todos os beijos que demos. as nossas roupas pingaram de tanto amor que fizemos. amor, quero-te...
Sua Excelência: o Amor
Sentado alto do trono
Bem alto, no pedestal,
Amor superior se sente
Diz-se nobre como tal
Veste pele de cordeiro
Quando decide atacar
Deixa as presas indefesas
Cercadas pelo seu olhar
É doce, enganador,
Muito terno, explosivo
Quando quer, arrebatador,
Cruel, se achar preciso
Pode reflectir um anjo
Em seu nome ser demónio
Tudo que enche uma vida
Ser na tristeza o antónimo
É lindo vê-lo a correr
À procura do verdadeiro
Mover mundos e fundos
Quer ele ser o primeiro
Tanto se fala do amor,
Bem, mal, por tudo e nada
Vou guardar o que sei p’ra mim
Deixar-me ficar calada
Anyta, 2009.12.15
p.s. este poema tem a assinatura de uma poetisa tirsense. obrigada, Maria! obrigada, Anyta!
Sentado alto do trono
Bem alto, no pedestal,
Amor superior se sente
Diz-se nobre como tal
Veste pele de cordeiro
Quando decide atacar
Deixa as presas indefesas
Cercadas pelo seu olhar
É doce, enganador,
Muito terno, explosivo
Quando quer, arrebatador,
Cruel, se achar preciso
Pode reflectir um anjo
Em seu nome ser demónio
Tudo que enche uma vida
Ser na tristeza o antónimo
É lindo vê-lo a correr
À procura do verdadeiro
Mover mundos e fundos
Quer ele ser o primeiro
Tanto se fala do amor,
Bem, mal, por tudo e nada
Vou guardar o que sei p’ra mim
Deixar-me ficar calada
Anyta, 2009.12.15
p.s. este poema tem a assinatura de uma poetisa tirsense. obrigada, Maria! obrigada, Anyta!
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
"nove semanas e meia" edita e agradece...
Luís Vendeirinho
"Quando a poesia está na rua há um estranho que traz amor nos bolsos rotos, o vento é feito de esperança, a chuva cai como gomos de alegria sobre o chão macio, quando a poesia está na rua não há portas nas casas, nem janelas cerradas no olhar das crianças, quando a poesia está na rua abrigo-me da minha solidão sob a árvore onde se colhem palavas como beijos, sob cuja sombra se beija como quem diz o nome das coisas para ser inscrito em forma de nuvem, e a poesia é a rua e todos os passos envoltos nas esquinas de que ela é feita..." LV (Abraço de parabéns)
"Quando a poesia está na rua há um estranho que traz amor nos bolsos rotos, o vento é feito de esperança, a chuva cai como gomos de alegria sobre o chão macio, quando a poesia está na rua não há portas nas casas, nem janelas cerradas no olhar das crianças, quando a poesia está na rua abrigo-me da minha solidão sob a árvore onde se colhem palavas como beijos, sob cuja sombra se beija como quem diz o nome das coisas para ser inscrito em forma de nuvem, e a poesia é a rua e todos os passos envoltos nas esquinas de que ela é feita..." LV (Abraço de parabéns)
maria, muito obrigada! "nove semanas e meia" deseja a todos os enamorados um excelente "dia dos namorados" e sugere o uso e abuso da poesia, para revelar "sentidos" escondidos em beijos e carícias... viva o amor e viva quem o diz!
Desespero
Inteiramente o perdeu.
E só pensa em procurar
nos lábios que se lhe oferecem
de sucessivos amantes
esses lábios desejados;
e preso num outro abraço
de cada amante se encontra,
só procura a ilusão
de que a ele se entrega
como tanto se entregou.
Inteiramente o perdeu.
Como se nunca existira.
Ele queria -ao que então disse -
poder ainda "salvar-se"
desse terrível estigma
da vergonha que é prazer.
Porque ainda estava a tempo
de fugir e de "salvar-se".
Inteiramente o perdeu.
Como se nunca existira.
Por força do imaginar,
alucinado e iludido,
nos lábios de outros amantes
só procura descobri-lo,
nesses lábios encontrar
a paixão que conheceu.
1923 Contantino Cavafy (traduzido por Jorge de Sena)
13 de Fevereiro de 2011 17:41
Inteiramente o perdeu.
E só pensa em procurar
nos lábios que se lhe oferecem
de sucessivos amantes
esses lábios desejados;
e preso num outro abraço
de cada amante se encontra,
só procura a ilusão
de que a ele se entrega
como tanto se entregou.
Inteiramente o perdeu.
Como se nunca existira.
Ele queria -ao que então disse -
poder ainda "salvar-se"
desse terrível estigma
da vergonha que é prazer.
Porque ainda estava a tempo
de fugir e de "salvar-se".
Inteiramente o perdeu.
Como se nunca existira.
Por força do imaginar,
alucinado e iludido,
nos lábios de outros amantes
só procura descobri-lo,
nesses lábios encontrar
a paixão que conheceu.
1923 Contantino Cavafy (traduzido por Jorge de Sena)
13 de Fevereiro de 2011 17:41
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
sugeriste um beijo na face [e eu dei] depois desse beijo surgiu outro [que eu também dei] agora deixo a imaginação livre para os suspiros e as [sugestões]
Sim, dizias tu, mas em seguida
corrigiste: talvez. Esta
é a única palavra
que não tem casa. Que mora
no intervalo
entre o som e o silêncio.
Albano Martins
corrigiste: talvez. Esta
é a única palavra
que não tem casa. Que mora
no intervalo
entre o som e o silêncio.
Albano Martins
conforme havia sido prometido, eis a lista dos livros que irão povoar o imaginário de "nove semanas e meia"
O POETA NU
[poesia reunida]
Jorge Sousa Braga
Assírio & Alvim
366 POEMAS QUE FALAM DE AMOR
uma antologia organizada por
Vasco Graça Moura
Quetzal Editores
E COMO ERAM AS LIGAS DE MADAME BOVARY?
Francisco Umbral
Campo das Letras
PALINÓDIAS,
PALIMPSESTOS
Albano Martins
Campo das Letras
POEMAS
COM CINEMA
antologia organizada por
Joana Matos Frias
Luís Miguel Queirós
Rosa Maria Martelo
Assírio & Alvim
DO MUNDO GREGO OUTRO SOL
antologia Palatina e antologia de planudes
selecção, tradução e notas
Albano Martins
Edições ASA
A MUSA IRREGULAR
Fernando Asis Pacheco
Assírio & Alvim
MORTAL E ROSA
Francisco Umbral
Campo da Literatura
...quanto ao conteúdo de cada obra aguardem, pois "nove semanas e meia" tem todo o prazer de vos proporcionar "deliciosas" leituras!
[poesia reunida]
Jorge Sousa Braga
Assírio & Alvim
366 POEMAS QUE FALAM DE AMOR
uma antologia organizada por
Vasco Graça Moura
Quetzal Editores
E COMO ERAM AS LIGAS DE MADAME BOVARY?
Francisco Umbral
Campo das Letras
PALINÓDIAS,
PALIMPSESTOS
Albano Martins
Campo das Letras
POEMAS
COM CINEMA
antologia organizada por
Joana Matos Frias
Luís Miguel Queirós
Rosa Maria Martelo
Assírio & Alvim
DO MUNDO GREGO OUTRO SOL
antologia Palatina e antologia de planudes
selecção, tradução e notas
Albano Martins
Edições ASA
A MUSA IRREGULAR
Fernando Asis Pacheco
Assírio & Alvim
MORTAL E ROSA
Francisco Umbral
Campo da Literatura
...quanto ao conteúdo de cada obra aguardem, pois "nove semanas e meia" tem todo o prazer de vos proporcionar "deliciosas" leituras!
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
"nove semanas e meia" já possui uma mini-biblioteca (amanhã daremos conta dos títulos) - obrigada Alberto Serra
POEMA
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco.
Mário Cesariny de Vasconcelos
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco.
Mário Cesariny de Vasconcelos
finjo não ver... finjo não querer... finjo ainda que prefira despir a mentira...
DE: CAFÉ
(Finjo que não vejo as mulheres
que passam, mas vejo.)
De súbito, o diabinho que me dançava nos olhos,
mal viu a menina atravessar a rua,
saltou num ímpeto de besouro
e despiu-a toda...
E a Que-Sempre-Tanto-Se-Recata
ficou nua,
sonambulamente nua,
com um seio de ouro
e outro de prata.
José Gomes Ferreira
(Finjo que não vejo as mulheres
que passam, mas vejo.)
De súbito, o diabinho que me dançava nos olhos,
mal viu a menina atravessar a rua,
saltou num ímpeto de besouro
e despiu-a toda...
E a Que-Sempre-Tanto-Se-Recata
ficou nua,
sonambulamente nua,
com um seio de ouro
e outro de prata.
José Gomes Ferreira
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