sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

tem muita graça e não fere os mais púdicos... obrigada RR!

João comprou um par de sapatos novos e chega a casa:



- Maria o que achas?


- Acho de quê?


- Não notas nada de diferente?


- Não...


João vai à casa de banho, tira a roupa toda e volta apenas com os sapatos


novos calçados.


- E agora? Já notas alguma coisa diferente?


- Não, o 'coiso' continua pendurado para baixo, assim como estava


ontem e como estará amanhã!


- E SABES PORQUE É QUE ELE ESTÁ PENDURADO PARA BAIXO?


- Porquê?


- Porque ele está a olhar para os meus sapatos novos!


- Hum... podias ter comprado um chapéu ...
 
 
p.s. a edição 2010 do programa "a poesia está na rua" - humor com humor se paga, explorou o humor e a graça poética. RIR faz sempre bem... mesmo (ou sobretudo) quando tem qualquer "coisa de picante"!!!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

chegou pela manhã e trazia o perfume da memória... obrigada M.

CONHEÇO O SAL



Conheço o sal da tua pele seca


depois que o estio se volveu inverno


da carne repousando em suor nocturno.



Conheço o sal do leite que bebemos


quando das bocas se estreitavam lábios


e o coração no sexo palpitava.



Conheço o sal dos teus cabelos negros


ou louros ou cinzentos que se enrolam


neste dormir de brilhos azulados.




Conheço o sal que resta em minhas mãos


como nas praias o perfume fica


quando a maré desceu e se retrai.




Conheço o sal da tua boca, o sal


da tua língua, o sal de teus mamilos,


e o da cintura se encurvando de ancas.




A todo o sal conheço que é só teu,


ou é de mim em ti, ou é de ti em mim,


um cristalino pó de amantes enlaçados.

Jorge de Sena

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O POETA NU - Jorge Sousa Braga >>>> impossível não gostar da "simplicidade de dizer" deste autor - ora vejam!

diz o autor:

Os poemas que se seguem pretendem aproximar-se da simplicidade (ilusória) de uma gota de água. (...) Por último, um lamento: que estes poemas não possam chegar ao leitor da forma mais apropriada, ou seja, em folhas de trevo.


STRIP-TEASE
Quanto mais me dispo
menos nu
me sinto

9 semanas e meia

A borboleta que poisou
no teu mamilo perdeu
vontade de voar

9 semanas e meia

Vou ao céu
E venho-
-me

9 semanas e meia

Não posso
amar
mais claro

9 semanas e meia

Escrevo
com os dedos ainda longos
da carícia

9 semanas e meia

Ainda agora em ti entrei
e já em todos os teus poros
me achei

9 semanas e meia

Não é a rosas nem a violetas
nem a jasmim o cheiro
que me põe fora de mim

9 semanas e meia

GRANADA
O sumo das romãs
escorre-te
por entre os seios

9 semanas e meia

OPALA
Será de uma gota de esperma
o arco-íris que se desenha
neste poema?

9 semanas e meia

MULHER

Metade mulher metade pássaro
Metade anémona metade névoa

Metade água metade mágoa
Metade silêncio metade búzio

Metade manhã metade fogo
Metade jade metade tarde

Metade mulher metade sonho


9 semanas e meia é aqui usado para anunciar cada um dos textos

...estou à espera da tarde...

Antes que a noite acabe
Acende a luz da minha vida
Com a tua chama, oh, meu Amor!
Estou à espera da tarde
Em que vens pelo caminho trazendo a tua chama,
E o meu coração amadurecido nas suas trevas
Acender-se-á como uma labareda.

Rabindranath Tagore

uma verdadeira delícia...

A EVOCAÇÃO DO CHIMPANZÉ

Alberto Pimenta



comprei um bilhete e um cartucho de amendoins e entrei no cinema. tu compraste um bilhete e um cartucho de amendoins e entraste no cinema, sentámo-nos na mesma fila, lado a lado, eu abri o meu cartucho de amendoins, tu abriste o teu cartucho de amendoins, com um ruído exactamente igual ao meu. voltei-me para ti e mostrei os dentes. Tu voltaste-te para mim e mostraste os dentes. quando a luz apagou, tu pousaste o teu cartucho de amendoins no colo e eu pousei o meu cartucho de amendoins no colo. com a mão direita comecei a levantar-te a saia. para me facilitar a tarefa, tu levantaste levemente as nádegas do assento. com esse gesto, caiu-te do colo o cartucho de amendoins. assim que os amendoins acabaram de se espalhar no chão, abaixei-me para tos apanhar, mas esqueci-me do meu cartucho de amendoins, o qual me caiu igualmente ao chão. gastei um tempo enorme a procurar e a recolher todos os amendoins. lembro-me de que passei o tempo quase todo até ao intervalo recolhendo os amendoins. todo o tempo tu não deixaste de suspirar e de gemer, embora estivesse apenas a decorrer um documentário sobre o narciso e nenhum drama comovente. a voz do locutor lembro-me que dizia: « no começo da primavera, quando montes e vales acordam do longo sono de inverno, centenas e centenas de narcisos elevam as douradas cabeças em todas as frestas e abrigos do solo, e lançam seu olhar inocente pelos portentosos rochedos e pelas raízes nodosas da floresta.» isto, como certamente te lembras, foi antes do intervalo. depois, quantas vezes, oh quantas vezes não deixaste cair e eu deixei cair os amendoins que nos restavam. e ora eu, ora tu, de cada vez descíamos a procurá-los, e a colhê-los com suaves, ternos guinchos. o filme, no dizer da crítica, era daqueles que se não podem perder.

p.s. para os interessados... amanhã no auditório da biblioteca municipal de santo tirso (18:00h) e na voz de Alberto Serra - "9 semanas e meia" inícia a sua aparição [de forma discreta e a meia luz e sem revelar (ainda) o que se segue]

o teu nome acaricia a minha pele... sussurro e mordo o lábio ao som de ti...digo: SIM

QUADRILHA

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi pra os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história. 

Carlos Drummond de Andrade