EM TI A TERRA
Pequena
rosa,
rosa pequena,
às vezes,
diminuta e nua,
parece
que numa das minhas mãos
tu cabes,
que assim vou apertar-te
e levar-te à boca,
mas,
de repente,
os meus pés tocam os teus pés e a minha boca os teus
lábios,
cresceste,
os teus ombros erguem-se como duas colinas,
os teus peitos passeiam pelo meu peito,
o meu braço mal consegue cingir a delgada
linha de lua nova que há na tua cintura:
derramaste-te no amor como água do mar:
meço apenas os olhos mais dilatados do céu
e inclino-me sobre a tua boca para beijar a terra.
Pablo Neruda
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
ternura de posse
POSSE
A noite é a noite e tu a dás
_ sigo a rota íntima dos cabelos.
Macio o cais. Insone o mundo
em que se dá aos lábios o querer tê-los.
Rosada a curva que enobrece a espuma,
no gesto violento que a nada se poupa.
Leitosa a sombra que nos tem seguros
a cama, o corpo, o símbolo, a roupa.
Língua de fogo que ao sangue reclama
mais lume, mais sal (que o céu o não dá).
Ternura de posse _ de cor e tamanho.
O grito é o fim, um sol que aí está.
João Rui de Sousa
A noite é a noite e tu a dás
_ sigo a rota íntima dos cabelos.
Macio o cais. Insone o mundo
em que se dá aos lábios o querer tê-los.
Rosada a curva que enobrece a espuma,
no gesto violento que a nada se poupa.
Leitosa a sombra que nos tem seguros
a cama, o corpo, o símbolo, a roupa.
Língua de fogo que ao sangue reclama
mais lume, mais sal (que o céu o não dá).
Ternura de posse _ de cor e tamanho.
O grito é o fim, um sol que aí está.
João Rui de Sousa
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
inigualável... o programa "a poesia está na rua" da responsabilidade da câmara municipal de santo tirso
A INIGUALÁVEL
Ai, como eu te queria toda de violetas
E flébil de cetim...
Teus dedos longos, de marfim,
Que os sombreassem jóias pretas...
E tão febril e delicada
Que não pudesses dar um passo _
Sonhando estrelas, transtornada,
Com estampas de cor no regaço...
Queria-te nua e friorenta,
Aconchegando-te em zibelinas _
Sonolenta,
Ruiva de éteres e morfinas...
Ah! que as tuas nostalgias fossem guizos de prata _
Teus frenesis, lantejoulas;
E os ócios em que estiolas,
Luar que se desbarata...
.......................................................
Teus beijos, queria-os de tule,
Transparecendo carmim _
Os teus espasmos, de seda...
_ Água fria e clara numa noite azul,
Água, devia ser o teu amor po mim...
Mário de Sá-Carneiro
Ai, como eu te queria toda de violetas
E flébil de cetim...
Teus dedos longos, de marfim,
Que os sombreassem jóias pretas...
E tão febril e delicada
Que não pudesses dar um passo _
Sonhando estrelas, transtornada,
Com estampas de cor no regaço...
Queria-te nua e friorenta,
Aconchegando-te em zibelinas _
Sonolenta,
Ruiva de éteres e morfinas...
Ah! que as tuas nostalgias fossem guizos de prata _
Teus frenesis, lantejoulas;
E os ócios em que estiolas,
Luar que se desbarata...
.......................................................
Teus beijos, queria-os de tule,
Transparecendo carmim _
Os teus espasmos, de seda...
_ Água fria e clara numa noite azul,
Água, devia ser o teu amor po mim...
Mário de Sá-Carneiro
"ofícios de poeta" teve o privilégio de receber o poeta António Osório e ao mesmo prestar a devida e merecida homenagem. é um cavalheiro e um homem de grande sensibilidade. volte sempre...
DOÍA-LHE O CORPO, LANCEADA
Doía-lhe o corpo, lanceada.
Aquele sangue
do sacrifício escorrente.
Era assim: gruta aquosa,
carnais estalactites,
uma vibrátil glande,
assetinado, fundo
pocinho que transbordava
ôndulas de volúpia,
onda marinheira
na saca e ressaca;
nele, espasmos,
um moribundo imitante.
Despojada de sua dívida,
o mundo e eles, gratos.
António Osório
Doía-lhe o corpo, lanceada.
Aquele sangue
do sacrifício escorrente.
Era assim: gruta aquosa,
carnais estalactites,
uma vibrátil glande,
assetinado, fundo
pocinho que transbordava
ôndulas de volúpia,
onda marinheira
na saca e ressaca;
nele, espasmos,
um moribundo imitante.
Despojada de sua dívida,
o mundo e eles, gratos.
António Osório
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
por que "gostar" faz bem... nove semanas e meia, também gosta!
CÉUS EM FOGO
Um corpo, certamente. Mas que é um corpo?
Boca, seios, coxas, sexo,
um sorriso, a mão que afaga, voz?
Que trevas, quais trevas,
de esquecer ou ir tão fundo
quando o desprender-se da alma abre
nas portas da luxúria os céus em fogo?
Adolfo Casais Monteiro
Um corpo, certamente. Mas que é um corpo?
Boca, seios, coxas, sexo,
um sorriso, a mão que afaga, voz?
Que trevas, quais trevas,
de esquecer ou ir tão fundo
quando o desprender-se da alma abre
nas portas da luxúria os céus em fogo?
Adolfo Casais Monteiro
"nove semanas e meia" abre espaço para a participação. envie poemas de autores que escrevem o "amor e a paixão". entretanto...
VÉSPERA
Seríamos dois faunos sobre a praia,
Batidos pelo vento e pelo sal,
Tendo por manto apenas a cambraia
da espuma
E, por fronteira,
O areal.
Gémeos de corpo e alma,
Ver um era ver outro:
A mesma voz,
A mesma transparência,
A mesma calma
De búzio, intacto, em cada um de nós!
Felicidade?
Não!
Inconsciência!
E as nossas mãos brincavam com o lume
A beira da impaciência
Ou do ciúme.
Pedro Homem de Mello
Seríamos dois faunos sobre a praia,
Batidos pelo vento e pelo sal,
Tendo por manto apenas a cambraia
da espuma
E, por fronteira,
O areal.
Gémeos de corpo e alma,
Ver um era ver outro:
A mesma voz,
A mesma transparência,
A mesma calma
De búzio, intacto, em cada um de nós!
Felicidade?
Não!
Inconsciência!
E as nossas mãos brincavam com o lume
A beira da impaciência
Ou do ciúme.
Pedro Homem de Mello
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
sóbrio o teu corpo me pede...
SÓBRIO O TEU CORPO...
Sóbrio o teu corpo me pede
penetração: nomes puros:
os de boca, braços, mãos
sobre a terra e sobre os muros.
Sóbrio o teu corpo me pede
nomes justos, nomes duros:
os de terra, fogo e punhos,
claros, acres, escuros.
António Ramos Rosa
Sóbrio o teu corpo me pede
penetração: nomes puros:
os de boca, braços, mãos
sobre a terra e sobre os muros.
Sóbrio o teu corpo me pede
nomes justos, nomes duros:
os de terra, fogo e punhos,
claros, acres, escuros.
António Ramos Rosa
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