POSSE
A noite é a noite e tu a dás
_ sigo a rota íntima dos cabelos.
Macio o cais. Insone o mundo
em que se dá aos lábios o querer tê-los.
Rosada a curva que enobrece a espuma,
no gesto violento que a nada se poupa.
Leitosa a sombra que nos tem seguros
a cama, o corpo, o símbolo, a roupa.
Língua de fogo que ao sangue reclama
mais lume, mais sal (que o céu o não dá).
Ternura de posse _ de cor e tamanho.
O grito é o fim, um sol que aí está.
João Rui de Sousa
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
inigualável... o programa "a poesia está na rua" da responsabilidade da câmara municipal de santo tirso
A INIGUALÁVEL
Ai, como eu te queria toda de violetas
E flébil de cetim...
Teus dedos longos, de marfim,
Que os sombreassem jóias pretas...
E tão febril e delicada
Que não pudesses dar um passo _
Sonhando estrelas, transtornada,
Com estampas de cor no regaço...
Queria-te nua e friorenta,
Aconchegando-te em zibelinas _
Sonolenta,
Ruiva de éteres e morfinas...
Ah! que as tuas nostalgias fossem guizos de prata _
Teus frenesis, lantejoulas;
E os ócios em que estiolas,
Luar que se desbarata...
.......................................................
Teus beijos, queria-os de tule,
Transparecendo carmim _
Os teus espasmos, de seda...
_ Água fria e clara numa noite azul,
Água, devia ser o teu amor po mim...
Mário de Sá-Carneiro
Ai, como eu te queria toda de violetas
E flébil de cetim...
Teus dedos longos, de marfim,
Que os sombreassem jóias pretas...
E tão febril e delicada
Que não pudesses dar um passo _
Sonhando estrelas, transtornada,
Com estampas de cor no regaço...
Queria-te nua e friorenta,
Aconchegando-te em zibelinas _
Sonolenta,
Ruiva de éteres e morfinas...
Ah! que as tuas nostalgias fossem guizos de prata _
Teus frenesis, lantejoulas;
E os ócios em que estiolas,
Luar que se desbarata...
.......................................................
Teus beijos, queria-os de tule,
Transparecendo carmim _
Os teus espasmos, de seda...
_ Água fria e clara numa noite azul,
Água, devia ser o teu amor po mim...
Mário de Sá-Carneiro
"ofícios de poeta" teve o privilégio de receber o poeta António Osório e ao mesmo prestar a devida e merecida homenagem. é um cavalheiro e um homem de grande sensibilidade. volte sempre...
DOÍA-LHE O CORPO, LANCEADA
Doía-lhe o corpo, lanceada.
Aquele sangue
do sacrifício escorrente.
Era assim: gruta aquosa,
carnais estalactites,
uma vibrátil glande,
assetinado, fundo
pocinho que transbordava
ôndulas de volúpia,
onda marinheira
na saca e ressaca;
nele, espasmos,
um moribundo imitante.
Despojada de sua dívida,
o mundo e eles, gratos.
António Osório
Doía-lhe o corpo, lanceada.
Aquele sangue
do sacrifício escorrente.
Era assim: gruta aquosa,
carnais estalactites,
uma vibrátil glande,
assetinado, fundo
pocinho que transbordava
ôndulas de volúpia,
onda marinheira
na saca e ressaca;
nele, espasmos,
um moribundo imitante.
Despojada de sua dívida,
o mundo e eles, gratos.
António Osório
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
por que "gostar" faz bem... nove semanas e meia, também gosta!
CÉUS EM FOGO
Um corpo, certamente. Mas que é um corpo?
Boca, seios, coxas, sexo,
um sorriso, a mão que afaga, voz?
Que trevas, quais trevas,
de esquecer ou ir tão fundo
quando o desprender-se da alma abre
nas portas da luxúria os céus em fogo?
Adolfo Casais Monteiro
Um corpo, certamente. Mas que é um corpo?
Boca, seios, coxas, sexo,
um sorriso, a mão que afaga, voz?
Que trevas, quais trevas,
de esquecer ou ir tão fundo
quando o desprender-se da alma abre
nas portas da luxúria os céus em fogo?
Adolfo Casais Monteiro
"nove semanas e meia" abre espaço para a participação. envie poemas de autores que escrevem o "amor e a paixão". entretanto...
VÉSPERA
Seríamos dois faunos sobre a praia,
Batidos pelo vento e pelo sal,
Tendo por manto apenas a cambraia
da espuma
E, por fronteira,
O areal.
Gémeos de corpo e alma,
Ver um era ver outro:
A mesma voz,
A mesma transparência,
A mesma calma
De búzio, intacto, em cada um de nós!
Felicidade?
Não!
Inconsciência!
E as nossas mãos brincavam com o lume
A beira da impaciência
Ou do ciúme.
Pedro Homem de Mello
Seríamos dois faunos sobre a praia,
Batidos pelo vento e pelo sal,
Tendo por manto apenas a cambraia
da espuma
E, por fronteira,
O areal.
Gémeos de corpo e alma,
Ver um era ver outro:
A mesma voz,
A mesma transparência,
A mesma calma
De búzio, intacto, em cada um de nós!
Felicidade?
Não!
Inconsciência!
E as nossas mãos brincavam com o lume
A beira da impaciência
Ou do ciúme.
Pedro Homem de Mello
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
sóbrio o teu corpo me pede...
SÓBRIO O TEU CORPO...
Sóbrio o teu corpo me pede
penetração: nomes puros:
os de boca, braços, mãos
sobre a terra e sobre os muros.
Sóbrio o teu corpo me pede
nomes justos, nomes duros:
os de terra, fogo e punhos,
claros, acres, escuros.
António Ramos Rosa
Sóbrio o teu corpo me pede
penetração: nomes puros:
os de boca, braços, mãos
sobre a terra e sobre os muros.
Sóbrio o teu corpo me pede
nomes justos, nomes duros:
os de terra, fogo e punhos,
claros, acres, escuros.
António Ramos Rosa
ó fome, quando é que eu como?
POESIA
Dá a surpresa de ser.
É alta, de um louro escuro.
Faz bem só pensar em ver
Seu corpo meio maduro.
Seus seios altos parecem
(Se ela estivesse deitada)
dois montinhos que amanhecem
Sem ter que haver madrugada.
E a mão do seu braço branco
Assenta em palmo espalhado
Sobre a saliência do flanco
Do seu relevo tapado.
Apetece como um barco.
Tem qualquer coisa de gomo.
Meu Deus, quando é que eu embarco?
Ó fome, quando é que eu como?
Fernando Pessoa
>>> trazido pelas mãos do comissário do programa, chegou-nos "eros de passagem" poesia erótica contemporânea - selecção e prefácio de Eugénio de Andrade com desenhos do Mestre José Rodrigues. sabemos, pela voz do próprio, que é uma edição muito especial - a capa já se encontra amarelecida e o cheiro (quando se abre e se folheia) denúncia os 20 anos que já possui. vamos tratar e falar dele (o livro) com apetite. sim! não é comida, mas desencadeia a vontade de satisfazer a "gula do corpo" (saboreando cada pedaço de pele)...
Dá a surpresa de ser.
É alta, de um louro escuro.
Faz bem só pensar em ver
Seu corpo meio maduro.
Seus seios altos parecem
(Se ela estivesse deitada)
dois montinhos que amanhecem
Sem ter que haver madrugada.
E a mão do seu braço branco
Assenta em palmo espalhado
Sobre a saliência do flanco
Do seu relevo tapado.
Apetece como um barco.
Tem qualquer coisa de gomo.
Meu Deus, quando é que eu embarco?
Ó fome, quando é que eu como?
Fernando Pessoa
>>> trazido pelas mãos do comissário do programa, chegou-nos "eros de passagem" poesia erótica contemporânea - selecção e prefácio de Eugénio de Andrade com desenhos do Mestre José Rodrigues. sabemos, pela voz do próprio, que é uma edição muito especial - a capa já se encontra amarelecida e o cheiro (quando se abre e se folheia) denúncia os 20 anos que já possui. vamos tratar e falar dele (o livro) com apetite. sim! não é comida, mas desencadeia a vontade de satisfazer a "gula do corpo" (saboreando cada pedaço de pele)...
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