MINUTO
O amor? Seria o fruto
trincado até mais não ser?
(Mas para lá do prazer
a Vida estava de luto...)
Fui plantar o coração
no infinito: uma flor...
(Mas para lá do fervor
a vida gritou que não!)
O amor? Nem flor nem fruto.
(Tudo quanto em nós vibrara
parecia pronto a ceder...)
Foi apenas um minuto:
a fome intensa, tão rara!,
de ser criança, ou morrer...
>>> obrigado MC
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
...o que está vago?
VAGAR
Dobro a esquina
do abraço
a lume posto
Doce de amora
de ponto
desatado
Dispo o vestido
no vagar do corpo
preencho de prazer o que está vago
>>> talvez "a poesia está na rua" deva fazer a revelação do nome do autor destes textos. talvez o autor não aprecie, tanto anonimato e secretismo em volta da sua poesia. por outro lado, a não revelação do nome, permite viajar "por todos os nomes" cuja escrita possua «corpos com asas e seiva de paixão»
Dobro a esquina
do abraço
a lume posto
Doce de amora
de ponto
desatado
Dispo o vestido
no vagar do corpo
preencho de prazer o que está vago
>>> talvez "a poesia está na rua" deva fazer a revelação do nome do autor destes textos. talvez o autor não aprecie, tanto anonimato e secretismo em volta da sua poesia. por outro lado, a não revelação do nome, permite viajar "por todos os nomes" cuja escrita possua «corpos com asas e seiva de paixão»
convoco para a poesia...
OS NOSSOS DIAS
Convoco-te
Contorno-te
Comovo-me
Com o teu corpo
delgado
na memória
As tuas ancas estreitas
nesta nossa história
Os teus pulsos morenos
com sabor a vitória
Convoco-te
Contorno-te
Comovo-me
Com o teu corpo
delgado
na memória
As tuas ancas estreitas
nesta nossa história
Os teus pulsos morenos
com sabor a vitória
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
não é sempre mas, pode ser...
E POR VEZES
E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos ocanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos
David Mourão Ferreira
Matura Idade 1973
Antologia Poética
Publicações D. Quixote, 1983
a poesia está na rua oferece uma
camélia branca à CM
em troca deste poema. Obrigado...
E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes
ao tomarmos o gosto aos ocanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos
David Mourão Ferreira
Matura Idade 1973
Antologia Poética
Publicações D. Quixote, 1983
a poesia está na rua oferece uma
camélia branca à CM
em troca deste poema. Obrigado...
a flor eleita da poesia - a camélia
(...)
teria sido tão fácil isto
digo eu agora
tudo estava preparado para a tua chegada
o café os discos os livros as camélias
que me deste na manhã dos meus vinte anos
o vão de escada onde me pediste fica
mas isso aconteceu há muito tempo
quando ainda havia sebes e laranjeiras bravas
e o jardim não se tinha transformado
em condomínio privado com guardas
no exacto local onde um dia desdobrámos o corpo
para o primeiro conhecimento do amor
isso aconteceu quando ainda mal sabíamos
desprender da boca as palavras necessárias
por isso não percebi que seria na cinza desses dias
que viria reclamar a tua vida
a minha única maneira de desenhar por ti
a eternidade
(...)
Dois Corpos Tombando na Água
Alice Vieira
teria sido tão fácil isto
digo eu agora
tudo estava preparado para a tua chegada
o café os discos os livros as camélias
que me deste na manhã dos meus vinte anos
o vão de escada onde me pediste fica
mas isso aconteceu há muito tempo
quando ainda havia sebes e laranjeiras bravas
e o jardim não se tinha transformado
em condomínio privado com guardas
no exacto local onde um dia desdobrámos o corpo
para o primeiro conhecimento do amor
isso aconteceu quando ainda mal sabíamos
desprender da boca as palavras necessárias
por isso não percebi que seria na cinza desses dias
que viria reclamar a tua vida
a minha única maneira de desenhar por ti
a eternidade
(...)
Dois Corpos Tombando na Água
Alice Vieira
sem mapa e sem sinais... a viagem
CORPO
É pêssego
Tangerina
E é limão
Tem sabor a damasco
e a alperce
Toma o gosto da canela
de manhã
e à noite a framboesa que se despe
Da maçã guarda o pecado
e a sedução
Do mel
o açucar que reveste
Do licor
a febre que no seu rasgão
me invade, me inunda e me apetece
Mergulho depressa a minha boca
e bebo a sede
que em mim já cresce
Delírio que me enche
de prazer
tomando ponto num lume que humedece
Devagar mexo sem tino
as minhas mãos
Provando de ti
o que de ti viesse
O anis do esperma
o doce odor do pão
que o teu corpo espalha e enlouquece
>>> brevemente será feita a revelação...
É pêssego
Tangerina
E é limão
Tem sabor a damasco
e a alperce
Toma o gosto da canela
de manhã
e à noite a framboesa que se despe
Da maçã guarda o pecado
e a sedução
Do mel
o açucar que reveste
Do licor
a febre que no seu rasgão
me invade, me inunda e me apetece
Mergulho depressa a minha boca
e bebo a sede
que em mim já cresce
Delírio que me enche
de prazer
tomando ponto num lume que humedece
Devagar mexo sem tino
as minhas mãos
Provando de ti
o que de ti viesse
O anis do esperma
o doce odor do pão
que o teu corpo espalha e enlouquece
>>> brevemente será feita a revelação...
deitada sobre o luar acordo e sigo viagem por cima de ti...
TURBAÇÃO
Não podendo suster
tanto apetite
tanta vontade de te morder
a boca
Se estás longe procuro
outra maneira
de te tocar e toda a pressa é pouca
Desço os pulsos e afasto
os meus joelhos
Subo os dedos
e toco a minha folha
Entreabro os lábios
e não querendo é já
uma rosa doce
que a minha mão desfolha
>>> mantenho o véu sobre a autoria de tão belos textos
Não podendo suster
tanto apetite
tanta vontade de te morder
a boca
Se estás longe procuro
outra maneira
de te tocar e toda a pressa é pouca
Desço os pulsos e afasto
os meus joelhos
Subo os dedos
e toco a minha folha
Entreabro os lábios
e não querendo é já
uma rosa doce
que a minha mão desfolha
>>> mantenho o véu sobre a autoria de tão belos textos
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