(...)
teria sido tão fácil isto
digo eu agora
tudo estava preparado para a tua chegada
o café os discos os livros as camélias
que me deste na manhã dos meus vinte anos
o vão de escada onde me pediste fica
mas isso aconteceu há muito tempo
quando ainda havia sebes e laranjeiras bravas
e o jardim não se tinha transformado
em condomínio privado com guardas
no exacto local onde um dia desdobrámos o corpo
para o primeiro conhecimento do amor
isso aconteceu quando ainda mal sabíamos
desprender da boca as palavras necessárias
por isso não percebi que seria na cinza desses dias
que viria reclamar a tua vida
a minha única maneira de desenhar por ti
a eternidade
(...)
Dois Corpos Tombando na Água
Alice Vieira
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
sem mapa e sem sinais... a viagem
CORPO
É pêssego
Tangerina
E é limão
Tem sabor a damasco
e a alperce
Toma o gosto da canela
de manhã
e à noite a framboesa que se despe
Da maçã guarda o pecado
e a sedução
Do mel
o açucar que reveste
Do licor
a febre que no seu rasgão
me invade, me inunda e me apetece
Mergulho depressa a minha boca
e bebo a sede
que em mim já cresce
Delírio que me enche
de prazer
tomando ponto num lume que humedece
Devagar mexo sem tino
as minhas mãos
Provando de ti
o que de ti viesse
O anis do esperma
o doce odor do pão
que o teu corpo espalha e enlouquece
>>> brevemente será feita a revelação...
É pêssego
Tangerina
E é limão
Tem sabor a damasco
e a alperce
Toma o gosto da canela
de manhã
e à noite a framboesa que se despe
Da maçã guarda o pecado
e a sedução
Do mel
o açucar que reveste
Do licor
a febre que no seu rasgão
me invade, me inunda e me apetece
Mergulho depressa a minha boca
e bebo a sede
que em mim já cresce
Delírio que me enche
de prazer
tomando ponto num lume que humedece
Devagar mexo sem tino
as minhas mãos
Provando de ti
o que de ti viesse
O anis do esperma
o doce odor do pão
que o teu corpo espalha e enlouquece
>>> brevemente será feita a revelação...
deitada sobre o luar acordo e sigo viagem por cima de ti...
TURBAÇÃO
Não podendo suster
tanto apetite
tanta vontade de te morder
a boca
Se estás longe procuro
outra maneira
de te tocar e toda a pressa é pouca
Desço os pulsos e afasto
os meus joelhos
Subo os dedos
e toco a minha folha
Entreabro os lábios
e não querendo é já
uma rosa doce
que a minha mão desfolha
>>> mantenho o véu sobre a autoria de tão belos textos
Não podendo suster
tanto apetite
tanta vontade de te morder
a boca
Se estás longe procuro
outra maneira
de te tocar e toda a pressa é pouca
Desço os pulsos e afasto
os meus joelhos
Subo os dedos
e toco a minha folha
Entreabro os lábios
e não querendo é já
uma rosa doce
que a minha mão desfolha
>>> mantenho o véu sobre a autoria de tão belos textos
terça-feira, 25 de janeiro de 2011
...e mais um para confirmar as suspeitas!
ETERNIDADE
Será a tua cama
a minha cama
aquela onde revolvo
um sono acidentado?
Onde dormes de lado
ou vigias
o modo alheio que a madrugada
abre
Será tua a proposta
deste encontro
ou será meu este amor
que arde?
Uma flor de fogo
que incendeia
a nossa cama antes do fim
da tarde
Se é tua a dúvida
e minha esta certeza
daquilo que despimos
e na cama tarda?
O vestido descendo pelas ancas
sendo
da sede o que segura
e na seda aguarda
Será tua a vitória
e minha esta derrota
de não poder segurar-te
a vida inteira?
Por mais que queira
a eternidade guarda
o tempo que por ela
já se esgueira
>> e a resposta é...
Será a tua cama
a minha cama
aquela onde revolvo
um sono acidentado?
Onde dormes de lado
ou vigias
o modo alheio que a madrugada
abre
Será tua a proposta
deste encontro
ou será meu este amor
que arde?
Uma flor de fogo
que incendeia
a nossa cama antes do fim
da tarde
Se é tua a dúvida
e minha esta certeza
daquilo que despimos
e na cama tarda?
O vestido descendo pelas ancas
sendo
da sede o que segura
e na seda aguarda
Será tua a vitória
e minha esta derrota
de não poder segurar-te
a vida inteira?
Por mais que queira
a eternidade guarda
o tempo que por ela
já se esgueira
>> e a resposta é...
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
aplausos, para a senhora que se segue...
FLOR DA BOCA
És tentação permanente
à minha beira
Beijos rasos
à flor das bocas
Húmidas as duas
e as duas loucas
A do corpo mais que a da face
inteira
Inteiramente tuas
de maneira
que quando a tua língua
se incendeia
pega fogo ao desejo
e logo a chama
galgando em si própria
já se ateia
Trepando devastando
e só no topo
é grito e orgasmo
e é madeira
>>>>> desafio os seguidores deste blog, a adivinharem o nome do(a) autor(a) do texto
És tentação permanente
à minha beira
Beijos rasos
à flor das bocas
Húmidas as duas
e as duas loucas
A do corpo mais que a da face
inteira
Inteiramente tuas
de maneira
que quando a tua língua
se incendeia
pega fogo ao desejo
e logo a chama
galgando em si própria
já se ateia
Trepando devastando
e só no topo
é grito e orgasmo
e é madeira
>>>>> desafio os seguidores deste blog, a adivinharem o nome do(a) autor(a) do texto
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
e outro mais...
TRÊS PEDRAS NA MÃO
Três pedras na mão:
uma branca, uma azul, outra amarela.
As superstições da minha noite branca de centauro
azuis como o cheiro da terra
amarelas como a curva quente do teu ventre,
o silêncio telúrico a penetrar nas veias
no tropel do vento erguendo-se a esperança
mosto do tempo
já noite puída, feculenta
que guardo entre as páginas do breviário
onde registo os perfis minuciosos
do teu frondoso amor.
Três pedras na mão:
uma branca, outra negra, outra vermelha.
Fernando Alves dos Santos
1928.1992
Três pedras na mão:
uma branca, uma azul, outra amarela.
As superstições da minha noite branca de centauro
azuis como o cheiro da terra
amarelas como a curva quente do teu ventre,
o silêncio telúrico a penetrar nas veias
no tropel do vento erguendo-se a esperança
mosto do tempo
já noite puída, feculenta
que guardo entre as páginas do breviário
onde registo os perfis minuciosos
do teu frondoso amor.
Três pedras na mão:
uma branca, outra negra, outra vermelha.
Fernando Alves dos Santos
1928.1992
curioso é o "três..."
TRÊS COISAS
Cansado já de tudo
Cansado de amar
Nada mais tenho que um modo
de existir respirar
Já não sei aonde ir
Nem sei de onde venho
Queimei-me de existir
Cinzas agora tenho
Perdi meu coração
Paguei-o como peça
de fogo enfim carvão
Tornada fumo a cabeça
Persegui como um cego
três coisas sem piedade
respiração e depois
prazer e obscuridade
(poemas mudados para português por Herberto Helder)
Cansado já de tudo
Cansado de amar
Nada mais tenho que um modo
de existir respirar
Já não sei aonde ir
Nem sei de onde venho
Queimei-me de existir
Cinzas agora tenho
Perdi meu coração
Paguei-o como peça
de fogo enfim carvão
Tornada fumo a cabeça
Persegui como um cego
três coisas sem piedade
respiração e depois
prazer e obscuridade
(poemas mudados para português por Herberto Helder)
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