POEMA
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
Mário Cesariny
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
"in.suspeitas" pistas...
DE TARDE
Naquele «pic-nic» de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.
Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.
Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia.
Mas, todo púrpuro, a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!
Cesário Verde
1855.1886
Naquele «pic-nic» de burguesas,
Houve uma coisa simplesmente bela,
E que, sem ter história nem grandezas,
Em todo o caso dava uma aguarela.
Foi quando tu, descendo do burrico,
Foste colher, sem imposturas tolas,
A um granzoal azul de grão-de-bico
Um ramalhete rubro de papoulas.
Pouco depois, em cima duns penhascos,
Nós acampámos, inda o sol se via;
E houve talhadas de melão, damascos,
E pão-de-ló molhado em malvasia.
Mas, todo púrpuro, a sair da renda
Dos teus dois seios como duas rolas,
Era o supremo encanto da merenda
O ramalhete rubro das papoulas!
Cesário Verde
1855.1886
não resisto a fazer uso da sugestão de Carlos Bessa... digam quais deitariam!!??
TRÊS DESEJOS
Olhem à vossa volta e
de entre o que mais importa
digam-me
o que deitavam fora?
Carlos Bessa
1967
vamos inverter a tendência do "querer"
vamos...
Olhem à vossa volta e
de entre o que mais importa
digam-me
o que deitavam fora?
Carlos Bessa
1967
vamos inverter a tendência do "querer"
vamos...
mas entretanto...
AS PALAVRAS-OBJECTOS
Estou aqui
no mundo das palavras-objectos
que mudamente me falam
com quem mudamente falo
ao usá-las:
mas que uso fazem elas de mim?
Se bato nelas, elas batem em mim
se estou irritada, ameaçam-me
ameaçam ferir-me
fazer-me tropeçar, cair, soçobrar
Mas se estou calma e confio nelas
então elas confiam em mim:
entregam-se
enchem os meus dias
amparam as minhas noites
ternamente
aconchegam-me em suas estruturas
Mas porquê?
porquê?
para quê?
ANA HATHERLY
1929
O Pavão Negro
Estou aqui
no mundo das palavras-objectos
que mudamente me falam
com quem mudamente falo
ao usá-las:
mas que uso fazem elas de mim?
Se bato nelas, elas batem em mim
se estou irritada, ameaçam-me
ameaçam ferir-me
fazer-me tropeçar, cair, soçobrar
Mas se estou calma e confio nelas
então elas confiam em mim:
entregam-se
enchem os meus dias
amparam as minhas noites
ternamente
aconchegam-me em suas estruturas
Mas porquê?
porquê?
para quê?
ANA HATHERLY
1929
O Pavão Negro
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
mudamos a cor e em breve anunciamos "novas"
deixamos pistas para a notícia que se segue "a designação e o respectivo tema" da edição 2011 do programa "a poesia está na rua".
para breve a possibilidade de ver (aqui) "a nossa memória " - iremos colocar algumas imagens de (extraordinários) momentos.
a poesia está na rua
para breve a possibilidade de ver (aqui) "a nossa memória " - iremos colocar algumas imagens de (extraordinários) momentos.
a poesia está na rua
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
o "caminho" que (já) fizemos...
... enquanto reina a dúvida no ar (originando uma atmosfera de expectativa) sobre o tema do programa "a poesia está na rua" recordamos os temas e os poetas homenageados, das edições anteriores.
1ª edição / 2004
a poesia está na rua
Homenagem a António Ramos Rosa
{.../ Não posso adiar o coração}
2ª edição / 2005
a poesia e o surrealismo
Artur do Cruzeiro Seixas
{Colho uma palavra
há muito abandonada
na areia /...}
3ª edição / 2006
a poesia faz bem à saúde
Manuel António Pina
{... São elas, as tuas palavras, quem diz «eu»;
se tiveres ouvidos suficientemente privados
podes escutar o seu coração
pulsando sob a palavra da tua existência,
entre o para cá de ti e o para lá de ti....}
4ª edição / 2007
fé na poesia
José Tolentino de Mendonça
{... A aurora para a qual todos se voltam
leva meu barco da porta entreaberta}
5ª edição / 2008
ofício de poeta
António Osório
{Se eu fosse uma coisa, amaria ver-me
como comboio-correio. Longo e nocturno,
...}
6ª edição / 2009
pano pramangas
A. M. Pires Cabral
{... Dizem tudo isso dos ciganos. Eu não sei.
Vejo-os vir dos lados de Grijó
e estão todos de frente para mim
e parecem-me gente - nada mais.}
7ª edição / 2010
humor com humor se paga
Rosa Alice Branco
{Não sei se existo, pelo que há algumas probabilidades de eu pensar, ou não. Mas parece que escrevo. Quando escrevo não penso em nada e, raramente, sei o que vou escrever. Mesmo nestas raras ocasiões nunca me sai aquilo que pensava saber. O meu maior vício é escrever tudo o que venha, ou não, a gostar de ter escrito. /...}
8ª edição / 2011
????? (aguardem... ou tentem adivinhar!!!!)
o comissário do programa "a poesia está na rua" é o Jornalista Alberto Serra (desde a primeira edição)
a poesia está na rua
1ª edição / 2004
a poesia está na rua
Homenagem a António Ramos Rosa
{.../ Não posso adiar o coração}
2ª edição / 2005
a poesia e o surrealismo
Artur do Cruzeiro Seixas
{Colho uma palavra
há muito abandonada
na areia /...}
3ª edição / 2006
a poesia faz bem à saúde
Manuel António Pina
{... São elas, as tuas palavras, quem diz «eu»;
se tiveres ouvidos suficientemente privados
podes escutar o seu coração
pulsando sob a palavra da tua existência,
entre o para cá de ti e o para lá de ti....}
4ª edição / 2007
fé na poesia
José Tolentino de Mendonça
{... A aurora para a qual todos se voltam
leva meu barco da porta entreaberta}
5ª edição / 2008
ofício de poeta
António Osório
{Se eu fosse uma coisa, amaria ver-me
como comboio-correio. Longo e nocturno,
...}
6ª edição / 2009
pano pramangas
A. M. Pires Cabral
{... Dizem tudo isso dos ciganos. Eu não sei.
Vejo-os vir dos lados de Grijó
e estão todos de frente para mim
e parecem-me gente - nada mais.}
7ª edição / 2010
humor com humor se paga
Rosa Alice Branco
{Não sei se existo, pelo que há algumas probabilidades de eu pensar, ou não. Mas parece que escrevo. Quando escrevo não penso em nada e, raramente, sei o que vou escrever. Mesmo nestas raras ocasiões nunca me sai aquilo que pensava saber. O meu maior vício é escrever tudo o que venha, ou não, a gostar de ter escrito. /...}
8ª edição / 2011
????? (aguardem... ou tentem adivinhar!!!!)
o comissário do programa "a poesia está na rua" é o Jornalista Alberto Serra (desde a primeira edição)
a poesia está na rua
"a poesia está na rua" já evidencia sinais de franca motivação para se expôr aos que estão "ligados" às palavras dos poetas.
o programa e o respectivo tema desta edição, promete trazer à "rua" novos poetas (...estes trarão novas leituras e outras tantas formas de os ler/dizer).
muito em breve haverá a revelação do calendário dos acontecimentos e os convocados (todas e todos os que não abdicam de estar) podem reservar (na agenda dos dias) a "cadeira ou o canto"...
é nesta "rua" que o encontro acontece...!
a poesia esta na rua
o programa e o respectivo tema desta edição, promete trazer à "rua" novos poetas (...estes trarão novas leituras e outras tantas formas de os ler/dizer).
muito em breve haverá a revelação do calendário dos acontecimentos e os convocados (todas e todos os que não abdicam de estar) podem reservar (na agenda dos dias) a "cadeira ou o canto"...
é nesta "rua" que o encontro acontece...!
a poesia esta na rua
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